Às vezes penso em ti. Penso e questiono o porquê de o meu cérebro ter apagado quase tudo o que vivemos. Foi pouco, eu sei, mas foi bonito. Quando fecho os olhos, estás sentado ao meu lado no autocarro e vejo o teu reflexo no plástico à frente do nosso lugar, enquanto ligo ao meu pai. Não sorris. Estás numa posição estranha. (Dei por mim a cerrar os dentes com imensa força, agora). Depois, ainda com os olhos fechados, sinto os teus beijos. Péssimos, desajeitados. Adoro-os. Sinto o primeiro, juntamente com o bater do meu coração, e os que demos no meu quarto. Lembro-me das borbulhinhas no teu peito, do sinal na axila direita, das pernas musculadas (mas não exageradamente). Tens um sorriso de menino inigualável. Reguila. Recitas tudo o que falas. És poema, disse-te eu. Mas sabes o que nunca esquecerei? O orgasmo único que tiveste quando fizemos amor. Estavas por cima, inclinaste a cabeça para trás e não quiseste saber se nos ouviam ou não. Levantantaste - (olha só o que escrevo quando penso nisso). Levantaste-te rápido demais, deitaste o preservativo no lixo e vestiste-te. Ou foram só os boxers? Vês, não me consigo recordar bem. Puseste Jorge Palma - "Só" no meu computador. Íamos fazê-lo de novo. "Tens de ir".
Até um dia.
Até um dia, meu amor.
Escreves muito, mas muito bem, parabéns e continua, se a veia artística assim o desejar!
ResponderEliminarTenho tanta pena que estes comentários sejam feitos anonimamente... Obrigada, muito obrigada mesmo. A veia artística assim o deseja, e a motivação é óptima! <3
EliminarGostei deste texto, teve muitas palavras.
ResponderEliminarUm elogio diferente. Tens as palavras certas, penso eu... Obrigada! <3
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