23 de março de 2015

Do 12º andar sem pôr do sol

"Vai para baixo?" Vou sim. De novo.
18:20. O pôr do sol visto do teu quarto é o mais longo de toda a Lisboa. O 12º andar solitário torna engraçado esse momento, com o esconder do astro rei atrás de nuvens, fazendo parecer que "agora sim, o sol já não volta". Mas volta. De novo. Como voltamos de novo às lágrimas e aos "sou uma pessoa horrível" e "a culpa foi minha".
Tinha de acender um cigarro para o fumo levar a merda toda. Reparei que guardas no cinzeiro da casa a beata do último que tinha fumado no teu quarto, há umas semanas, e pensei que seria por quereres guardar um pedaço dos meus lábios contigo. Estavas doente e mandaste-me despachar, porque entrava imenso frio da janela. As cinzas flutuavam levemente e uma rapariga a correr camuflou-se com o verde do jardim. Acompanhei um avião desde ser apenas duas luzinhas lá ao fundo até ter passado bem perto de mim. Ouvi-te a entrar em casa umas trinta vezes. Nunca eras tu. Não era ninguém, só a imaginação personificada de uma esperança vã.
Tens sorte. Quem me dera que soubesses aproveitá-la.

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