15 de fevereiro de 2012

Her eyes.

                O doce sorriso do reconhecimento à distância foi substituído pelas tremuras nervosas e incertas dos lábios. A vontade de sentir o tão esperado abraço do reencontro deu lugar à recusa de qualquer tipo de contacto entre os nossos corpos. E os olhares, atrapalhados, cruzaram-se um tanto acidentalmente e um tanto de propósito, sendo o que mais queríamos e o que mais temíamos ao mesmo tempo. Olhou-me nos olhos e exclamei, surpresa, "Olha a [...]!", o que, mesmo sem ter ouvido, como se adivinhasse, a deixou furiosa comigo, com ela própria, e ao mesmo tempo, com absolutamente nada. Estávamos tão longe e tão perto. Não trocamos uma única palavra, mas consegui senti-lo, o medo. Pode ter tudo chegado ao fim, ou ser apenas mais uma pausa, mas a cumplicidade, essa, ainda permanece, louca e persistente, como um barco que rema contra a maré sabendo que, apesar de todos os esforços, acabará por naufragar. E os olhos dela, tão doces e coruscantes, ficaram negros e tristes como nunca outrora os tinha visto, fazendo o meu pequeno coração disparar em mil vigorosos batimentos apressados, como se se quisesse arrancar do peito e ir ter com o dela.

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