10 de maio de 2015

Insípido


No dia anterior a ter descoberto a que sabias, delírios auditivos seguiram-me até casa. Ouvi-te a chamar por mim antes de entrar no metro. Tinhas voltado para me levares a casa e eu implorei que me salvasses. Retorceste o bigode. Era só um casal de turistas a falar. Cumprimentei a esquizofrenia e entrei na carruagem. 
Tenho o péssimo hábito de gostar demasiado do que é demasiado parecido comigo (não me chamem narcisista, se não se importarem). Ainda não decidi se me salvaste ou apenas me puxaste uns centímetros para dentro do cais. Tacteio o meu peito em busca da constelação que imaginei no teu e a minha almofada cheira tanto a ti. Puseste os pontos nos is em practicamente tudo e isso, sendo o melhor que podias ter feito, deixa-me paralisada. Como paralisada fiquei quando rolei em ti enrolada em lençóis e mantas e cobertores e colchas e vergonha de quem interpreta o número 79 como o primeiro da numeração cardinal. Desculpa lá o jeito desajeitado. Foi tudo muito confuso, e a escuridão nunca me ajudou.
Voltamos a remodelar as coisas?


Ao insípido mais sápido.

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