29 de maio de 2015

Por nós próprios

Possivelmente a única pessoa de quem eu não me fartei. Estranho. E isso é bom.
Uma espécie incrível deitada na minha cama, completamente inutilizada. Doze euros de mente apagada, doze horas de sono pela frente, dois corpos gémeos nus. Riso incontrolável depois de uma piada sem sentido. Eu sou normal, acredita. Pintar-te-ei com palavras, porque não? Desculpa. Não volta a acontecer. Bebes mais um gole de água e suspiras. Nada tem graça. Já reparaste o quão irónico é teres acabado no 112? O meu candeeiro faz um eclipse e tu não sabes o que dizes. Tudo são sombras. Todas as coisas são sombras umas das outras e nada é palpavelmente real.
Andamos indignados e odiamos as coisas quando na verdade elas são só um produto da nossa ficção. E tu não entendes isso. Máscaras. Perco-me no que dizes porque dizes pouco mas demais. Não gastes as palavras. Apaga-as, mas não as gastes. E mesmo que as apagues, sobra o esqueleto. E eu não sei qual é a matéria.
Nada do que tocamos passa de um sopro.
Não te martirizes. A viagem ainda agora começou. Funde-te parcialmente com a música. Assedia-te mais uma vez.

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