Acordas.
Balanças-te, dedilhas a realidade.
A tua voz é doce e romântica ao amanhecer
e enternece-me que fales de quando pensámos ser avós.
Há quanto tempo foi isso?
A parede abraça-te, disforme, desfocado, desamado.
Desarmado.
O olhar de incerteza, o morder do lábio,
louco por ficares a só.
Levantas a voz e voltas a dedilhar o mundo
com a nostalgia dos tempos de Edimburgo.
Recordas os serões à beira do Forth
e repetes a frase que eu menos quero ouvir.
Desamparado.
Deixa-me ser querida.
O mês que me deste não nos valeu assim tanto.
Dou-te o que esperavas de nós
e reponho o que nunca tiraste da Escócia.
Não me leves a mal,
mas vou tentar convencer-te.
Volta a Portugal,
que sejas o nosso braço direito,
meu amor, sem dor.
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